Monday, February 27, 2006

Ostentação da demagogia

Afortunado o Homem que pensa,
ao pensar que tudo é seu,
que tudo muda,
e que tudo fica…
 
Afortunado o Homem que desespera,
que em tudo se engana, que em tudo erra
que faz da vida a inútil política
e que transforma a Paz em Guerra
 
Onde está a fortuna?
Na ostentação da vossa demagogia,
Na vossa mortal loucura?
Pois claro!
Ser pequeno e estar no poder é pura heresia.
 
Mas morre o Homem que se afortuna
porque não nasceu para pensar
que se ilude e vive na amargura
de saber que o povo pode mandar
 
Desafortunados aqueles que se afortunam
Com o poder  de sempre mandar
Porque os melhores pensamentos desaguam
nos que mandam por amar

 

Posted by Vitor Hugo Carmo in 04:17:08 | Permalink | Comments (2)

Mau feitio

A fúria é a razão do desânimo,

encontra-te nele, no vazio

limpa as lágrimas do engano

e não te iludas com o mau feitio

 

e grita,

e chora,

e cansa-te da falsa glória…

porque o amor que se revolve

é agora outra história

 

e grita,

e chora,

porque o amor és tu

 

e grita,

e chora,

porque já não há mau feitio…

limpa as lágrimas do abandono

e ri-te ao mundo com todo o brio

 

porque és tu,

só tu…

e só tu te podes livrar do frio,

porque no mundo há amor

para matar esse teu mau feitio

 

Posted by Vitor Hugo Carmo in 01:55:52 | Permalink | Comments (6)

Saturday, February 25, 2006

Quando sorris

Quando sorris me perco

quando sorris fico tonto

quando sorris me inquieto

como se fosse o primeiro encontro


 

Ó alma que se gasta com o desejo

do coração que palpita ao primeiro olhar

a paixão é o perfume de um beijo

e este é o momento para amar

 

Quando sorris, abandono a incerteza

quando sorris, sinto-me a desfalecer

quando me mostras a tua dissimulada subtileza

fico a sorrir só por te ver

 

Fica!

aqui,

onde te quero ter

aqui,

onde a paixão vive

aqui, quando sorris ao amanhecer

aqui,

porque o amor ainda arde

como a chama que me faz viver

 

Posted by Vitor Hugo Carmo in 02:13:03 | Permalink | Comments (4)

Friday, February 24, 2006

Pura essência

Longa é a despedida, longo é o desespero

Rápida foi a partida…

…fiquei só…

e só com o medo

 

De não voltares,

de me isolar nesta tortura

de me amares

com a tua doce loucura

 

Convivo com a tua ausência,

mas o desassossego é mais forte

e ainda sinto a tua presença

 

E é essa

…a ausência…

que me dá a certeza,

de te querer

de te ver

de viver…

 

Suspiro por esta saudade,

esta doce saudade

que te traz sempre de volta

que me dá liberdade…

…a tua ausência…

 

…a tua presença

a minha vontade

que te ama na ausência

que te ama na saudade

e faz do amor a pura essência

 

Posted by Vitor Hugo Carmo in 02:05:04 | Permalink | Comments (2)

Thursday, February 23, 2006

Perto de mim

Se me vires onde não estou

sei que lá estiveste,

Porque não disseste?

 

Queria responder-te, mas já não estavas;

mas estás…

onde te guardo,

te seguro

te amparo

 

Se me vires onde estiver,

é porque te vi onde não estavas,

Já te disse?

 

Queria dizer-te,

ainda te guardo

no lugar onde estás

no lugar onde estou…

Aqui,

bem perto do meu peito…

do que palpita,

do universo que se revolta

quando a paixão grita

 

Já te encontrei!

Queres a resposta?

Onde te guardo,

Onde não te vejo,

onde te sinto…

 

Aqui,

bem perto do meu peito!

 

Posted by Vitor Hugo Carmo in 02:08:14 | Permalink | Comments (4)

Wednesday, February 22, 2006

Sem te ter

Não digo o que sinto porque te quero sentir, porque cá dentro tenho o que fora se oculta;

Aqui estou e não vou partir, porque a lágrima se retrai carregada de culpa;

 

Mas não é minha…

a culpa

 

por não te ter,

sem pedir

sem chorar

quase a cair

 

E agora me levanto…

toco o céu

é todo meu

porque libertei a culpa

 

E grito por dentro para os que ouvem lá fora,

Chorando por fora para quem ouve lá dentro

Mas é este o momento

Já me livrei da culpa…

sem te ter,

quero o medo de te perder

nos teus braços cair,

no teu colo adormecer…

como a criança…

…o rebento…

que aprende a viver

 

E vivo…

…sem culpa…

já não é minha,

porque o digo;

não é tua,

porque não é de ninguém,

e agora que o digo…

 

as palavras…

guarda estas contigo

 

Posted by Vitor Hugo Carmo in 02:28:26 | Permalink | Comments (3)

Tuesday, February 21, 2006

Fumo

“Bem vindos à primeira conferência nacional de Não Fumadores”. Está um sujeito bem parecido no palanque pronto a iniciar um discurso que de certeza me vai deixar com dores de cabeça. Estou aqui em representação da tabaqueira, mas continuo sem perceber a razão da minha presença. O director de Marketing pediu-me um relatório sobre a conferência, mas estou sem pachorra para ouvir alguns indivíduos que se dizem maltratados pelo tabaco. Abandono a sala e vou até à rua. Sento-me nas escadas do auditório nacional a observar o Parque da Cidade, o maior do País, com jardins de fazer inveja ao paraíso. Mão no bolso direito e aí está: apenas um, um cigarro que libertará o meu cérebro das dores. Coloco-o gentilmente no lábio inferior, aperto o filtro com o superior, sinto-lhe o sabor e incendeio-lhe a ponta. Autêntico fogo de artifício que me percorre a garganta e me entra nos pulmões como a água doce de um rio entra na do mar, despoletando uma frescura que há um segundo era a incandescência do inferno. Agora estou confortável, porque a dor de cabeça está prestes a desaparecer. No preciso instante em que termino o meu cigarro senta-se uma loira bem perto de mim. Olha-me fixamente enquanto fumo. 

 

- Há algum problema? – Pergunto, incomodada pelo facto de estar a ser observada como se fosse uma aberração.

- Não. Nenhum. Simplesmente reparei que estava na conferência e abandonou a sala. É curioso ver alguém que está numa conferência de Não Fumadores e fuma – não sei onde quer chegar, mas deve ser mais uma daquelas activistas contra o tabaco.

- Faz parte do meu trabalho. Estou aqui em representação de uma empresa que produz tabaco e que pretende um relatório sobre o evento – espero que agora fique suficientemente esclarecida.

- Estamos em situações opostas. Sou directora da Associação Nacional de Não Fumadores – apago o cigarro, simplesmente porque está no fim, não porque as suas palavras me tenham intimidado.

- Agora compreendo porque achou estranho o facto de ter abandonado a sala.

- Há coisas que compreendo nos fumadores, porque também já fumei – estou surpreendida.

- E porque deixou? – a ver vamos qual foi o problema.

- Porque sentia que me estava a fazer mal.

- Compreendo isso, mas também me sinto mal em algumas ocasiões e não consigo deixar o vício, simplesmente porque não quero – demonstro a minha fraqueza a uma anti-tabagista.

- Pressuponho que já tentou deixar…

- Não, porque todos os dias tento eliminar do meu dia-a-dia coisas que me fazem mal, mas volta tudo ao mesmo: os despertadores com aquele bip irritante, os programas de televisão enfadonhos, as telenovelas de adolescentes, os dias de chuva, os hambúrgueres capitalistas, os discursos políticos, as filas de trânsito, a carne mal passada, as ruas repletas de carros, a arrogância dos poderosos, a inveja dos adversários, a traição dos falsos, as palavras ditas por dizer, os sentimentos ocultados, a promessa não cumprida…

- Pare, pare. Já percebi. Tem um cigarro para mim?

 

Posted by Vitor Hugo Carmo in 17:01:52 | Permalink | Comments (4)

Saturday, February 18, 2006

Floyd

Era uma vez um pequeno rapaz que nada tinha a perder na procura do seu cão. Floyd, um canino branco de porte médio, com uma mancha negra que lhe contornava o olho direito, era o companheiro, o amigo de Ricardo. Mas Ricardo vivia num tremendo desassossego desde que Floyd tinha embatido na roda direita de um automóvel que, por sorte, não o matou. Desde então, Ricardo percorreu caminhos nunca antes percorridos na busca do seu melhor amigo, o seu guia. O pequeno rapaz não presenciou o acidente que poderia ter sido fatal para Floyd e, durante o seu percurso, questionava os transeuntes que circulavam no sopé da montanha sobre o seu paradeiro. A mancha negra de Floyd era o ponto de partida para qualquer descrição que Ricardo facultava. Mas nem isso foi suficiente para obter uma informação detalhada acerca do seu paradeiro. Apenas sabia, pelas palavras de uma jovem da sua idade, que Floyd tinha sido atropelado. Nada mais do que isso. Ricardo estava desorientado, porque o seu guia estava desaparecido e o caminho que agora tinha que percorrer para o encontrar tornara-se ainda mais tumultuoso.

Após horas e horas de quilómetros caminhados, Ricardo sentia-se desgastado, triste e sem uma pista que o satisfizesse. Lembrou-se que a única solução seria abandonar a cidade e atingir o cume da montanha. Aí, o velho sábio que tudo via daquele alto vertiginoso, poderia ser a chave para abrir a porta do caminho até Floyd. E Ricardo traçou um novo percurso, sob o frio e a chuva que a altitude ia potenciando. Entre quedas e encontros com alguns aldeões da encosta da montanha, Ricardo continuava sem qualquer pista, mas a sua motivação era maior que a montanha que pisava em sofrimento.

Atingido o cume, Ricardo olhou do alto e gritou pelo seu melhor amigo. Mas Ricardo nada via e nem uma resposta obteve. Alguém lhe toca no ombro.

 

 

- O que fazes aqui? - perguntou o velho sábio que tudo via do alto vertiginoso.

- Procuro o meu cão. Quem está aí?

- Não me consegues ver. Sou o velho sábio que tudo vê deste alto vertiginoso.

- Não. Sou cego e por isso procuro o meu cão.

- É precisa muita coragem para chegar aqui sem nada ver. - diz o velho sábio, ainda admirado pela presença do pequeno rapaz no cume da montanha.

- Estou cansado e triste. O meu melhor amigo desapareceu.

- Não estejas. Foi ele que te trouxe até aqui. Foi o teu guia sem que estivesse na tua presença. Os melhores amigos são assim. Mesmo quando não estás com eles acabas por sentir a sua presença.

- O meu coração dizia-me que aqui o poderia encontrar - diz o rapaz com uma voz amargurada.

- A determinação… a vontade do teu coração são também o amor do teu melhor amigo. O teu caminho está percorrido e o teu cão certamente saberá que tudo farias para o encontrar.

- Obrigado pela sua ajuda. Confiarei sempre no meu coração e no Floyd… que me trouxe até aqui.

Ricardo desceu a montanha e regressou a casa com a certeza de que os verdadeiros amigos estão sempre connosco, mesmo à distância… e os outros… os outros podem passar toda uma vida ao nosso lado… mas não sabem indicar-nos o caminho certo.

Posted by Vitor Hugo Carmo in 16:30:29 | Permalink | Comments (6)

Friday, February 17, 2006

Próxima estação

 

 

Estações de comboio. Adoro. Dêem-me estações de comboio e a minha linha não tem fim. Partidas, chegadas, olá, adeus, até já, vou ter saudades tuas, amo-te, desiludiste-me, é a última vez que te vejo, bilhetes comprados à última hora, “comboio vindo de Lisboa na linha 4″, “comboio com destino a Coimbra na linha 3″, entrar na carruagem com o comboio em andamento, conversas inconvenientes, discussões pertinentes.. carinhos quentes… um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito.. passos. Os suficientes para parar em todas as estações e apeadeiros do meu coração. É um pouco mais alta do que eu… deve ter cerca de 25 anos, cabelos escuros sobre os ombros, lábios que lembram rosas acabadas de colher num dia de Primavera, com algumas gotas de água que lhes dão um suave brilho… o brilho… daqueles olhos cor de  maré mediterrânica.

 

- Tem lume? - pergunta alguém que interrompeu o meu deslumbre.

- Não, não tenho - nem sei se tenho, mas se encostasse o cigarro a qualquer parte do meu corpo com certeza acendia.

 

Estou nas nuvens… é a delicadeza em pessoa. A sua simplicidade fascinou-me, ali… com o seu traje informal, discreto… a forma como avança na atmosfera acalmaria a mais tempestuosa das tempestades. “Comboio com destino a Lisboa parte na linha dois às 17 horas”. É o meu, será o dela? Levanto-me, mas já a perdi de vista. Vou apanhar o meu comboio. Entro na carruagem e procuro o lugar em que consiga dispor da vista mais aprazível. Perdi-a… como é possível? Encontrei-a!!!! Está ali, sete ou oito metros separam-nos. Começo a preparar a máquina, porque como é habitual não deixo de procurar as melhores imagens da minha viagem. Ao fim de meia-hora dou uma cabeçada no passageiro sentado à minha frente. O comboio parou de forma brusca, mas não houve feridos graves. Os passageiros começam a sair lentamente da carruagem… está alguém preso à linha… por sorte não morreu… será que é a altura para captar este momento com a minha Canon.

 

- Nem penses nisso - às suas ordens… todos os seus desejos serão satisfeitos. É ela.

- Claro que não - os meus lábios deixaram fugir uma mentira.

 

Alguém solta o homem de meia idade das amarras da morte, enquanto chora que nem uma criança. Eu suspiro… que nem uma criança. Todos voltaram aos seu lugares mas… ela decide sentar-se ao meu lado. Será que lhe despertei alguma curiosidade?

 

- O que é fazes da vida? - pergunta ela a rir-se.

- Olá, sou o Marco.

- Chamo-me Filipa. Podes responder à minha pergunta - sorri perante o meu acanhamento. A sua simplicidade e a forma directa como me aborda está a deixar-me entusiasmado.

- Dá para ver que sou fotógrafo.

- Estavas mesmo decidido a captar aquele momento… - está a encostar-me à parede.

- Confesso que estava, mas ainda bem que não o fiz. Não é bem o meu conceito de arte - respondo denunciando alguma timidez.

- Pois… e para além de artista nota-se que és um apreciador. Reparei que estavas de boca aberta na estação - Alerta vermelho!!!! meti o pé na poça.

- Como reparaste? - corei, era impossível evitar a expressão facial.

- Não é habitual repararem em mim da mesma forma como o fizeste - ela vai mesmo directa ao assunto.

- Não queres fazer disto um caso de uma viagem de comboio? - é minha vez de ser directo.

- Porque é que será que já estás a colocar as coisas nesses termos só por falar desta maneira. Eu sou assim.

- Desculpa - corei outra vez.

Calamo-nos por alguns instantes, até que ganhei coragem para retomar a conversa.

- Sabes… aprecio as coisas simples que emanam pormenores sublimes - de onde é que isto me saiu. Não acredito que o disse.

- Deu para ver. O teu bilhete é de ida e volta?

- É. Vou apresentar um trabalho a Lisboa e volto para o Porto amanhã.

 

A conversa foi novamente interrompida pelo silêncio. Mas como já se estava a tornar incómodo foi a vez dela.

- Marco… achas que tinha hipóteses de ser fotografada de uma forma artística.

- Sim, claro que sim. Acho que no teu caso até teria o trabalho facilitado - e teria mesmo.

- Estás a dizer que sou uma obra de arte? - está a rir-se à brava.

- Não. Estou a dizer que a tua imagem me parece ser muito mais do que aquilo que vejo. Percebes? Se é assim, o trabalho artístico está quase feito.

- Claro que percebo. O teu bilhete é mesmo de ida e volta?

- É.

- Então não posso por de parte a hipótese de me voltares a observar daquela maneira.

- Podes e deves. Não voltarei a observar-te da mesma forma. O teu encanto foi… é único. O teu bilhete é só de ida?

- É. Mas posso sempre comprar o de volta.

 

Próxima estação: o encanto da Filipa.

Posted by Vitor Hugo Carmo in 01:01:06 | Permalink | Comments (3)

Tuesday, February 14, 2006

Made in…

O calor tanto fazia Débora dormir e ceder ao cansaço ao final da tarde, como lhe provocava insónias durante a noite. Aos 33 anos, Débora estava no auge da sua sexualidade. As férias na sua casa de praia, um recanto cómodo, aconchegante e com uma fantástica vista para o mar, transportaram-na para a meditação que tanto precisava. Analisou como tinha sido a sua vida até então, os bons e os maus momentos. Mas a plástica que tinha feito nem há um ano continuava a atormentar qualquer espelho que perto de si estivesse. Por isso mesmo, não tinha tempo para “pensar”. Às oito da manhã Débora decide levantar-se, já que a insónia a tinha atormentado toda a noite. Completamente robotizada fez o mesmo de sempre: olhar-se ao espelho, vestir o biquini Diesel, calças de ganga da Energie, tope da Dolce & Gabbana e as sandálias em pele da Prada. Para não falar na quantidade de cremes aplicados no rosto para “melhorar” o que já estava no sítio ou que quase sempre o espelho lhe dizia estar mal. Uma visão própria de quem não consegue ver a realidade. A vida havia sido congratulante para Débora no aspecto financeiro e por isso nada lhe faltava. Saiu à rua e aí, bem perto da praia, compra a leitura do dia, quase que por ordem alfabética: Caras, Lux’s, Vip’s, Jet set, oito, nove, dez, lixo e mais lixo. As tretas todas indispensáveis de quem acha que uma vida fútil vale mais do que saber a tabuada toda. Mas para quê a tabuada? Débora não tinha que fazer contas para nada.

Depois de um café, Débora desceu até à praia. Estendeu a toalha, olhou à sua volta e, mais uma vez, como era seu apanágio, começou a estereotipar: jovens com biquinis horrorosos, toalhas pirosas, homens com calções nada “fashion”, crianças com ranho no nariz e todos os juízos precipitados impensáveis. Já deitada, Débora folheava a sua literatura cor-de-rosa-às-pintas-vermelhas-capaz-de-atormentar-qualquer-mente-bem-desperta. Meia dúzia de crianças começaram a chinfrinar bem perto dos seus ouvidos, depositando seis ou sete grãos de areia na sua toalha. Enraivecida, Débora levanta-se e, com um grito que fez parar o vento que lhe batia no rosto, reclamou com os pequenos. Os pais, ali perto, pediram desculpa. A praia ainda não estava no ponto para Débora. Faltava-lhe um mergulho. Dirige-se à água e, ao avistar uma garrafa de vidro azul tapada com uma borracha, dirige-se até ao objecto. Está na sua mão e vê que, lá dentro, traz um papel. Não, não é um cheque. Débora abre a garrafa na esperança de ser surpreendida com uma qualquer forma de romance e desdobra o papel:

 

 

“A pele que te cobre a alma e que transpira todas as tuas angústias é uma pequena parte do teu amor próprio. Onde está o resto? A luxúria que te invadiu o sangue envenena uma mente reduzida à insignificância de objectos que carregas como troféus. E o ar? O ar que agora respiras está tão poluído quanto o teu coração, porque já não sabes respirar.

Atenciosamente,

Um presente… made in hell”

Posted by Vitor Hugo Carmo in 19:19:47 | Permalink | Comments (9)