El viejo

Há oportunidades que não se podem perder. Guardamos na memória as aventuras dos nossos heróis de banda desenhada preferidos, as séries infantis como o Tom Sawier ou o “Era uma vez o espaço”. Cheiramos um perfume de que gostamos como se já fizesse parte do nosso corpo, ouvimos uma música que se mantém cá dentro a tocar até que nos lembremos do Mundo outra vez. Essas viagens que nos fazem percorrer, tanto os humanos como alguns objectos, ou livros ou fotografias, tudo isso, são oportunidade que não podemos perder, para que nos lembremos que há coisas que nos fazem bem. Sou um confesso admirador de “El viejo” ou, para quem quiser, Luís Sepúlveda, um homem que faz das palavras simples catapultas de sentimento, cada uma delas, quando devidamente conexas, carregando emoções e lançadas devidamente aos sítios que não esperamos ser “tocados”, surpreendendo-nos. Para mim e sei que não é para todos, é exímio na arte de escrever. Li toda a sua obra e, como tenho uma grande paixão pela escrita, admiração multiplica-se quando se fala num escritor de que gosto. Tinha o sonho de um dia o conhecer, talvez conseguir falar com ele uma boa meia hora. Nem que fossem os únicos 30 minutos de que dispusesse para falar com ele. Tinha o sonho de lhe mostrar o meu livro e dizer-lhe que a minha admiração por si é tanta que o fiz entrar num dos contos do meu livro e na forma de livro. Eram sonhos que tinha. Agora já não tenho.
O Sepúlveda escreveu um dos seus muitos livros interessantíssimos que se chama “O poder dos sonhos”. É verdade! Descobri que os nossos sonhos têm enormes poderes. No dia 26 de Outubro do ano passado concretizei um dos meus. Luís Sepúlveda esteve em Portugal para apresentar o seu novo livro (contos) “A lâmpada de Aladino” (recomendo vivamente) e passou pelo El Corte inglês de Gaia. Não podia perder a oportunidade. Lá fui eu na esperança de que ele não se aborrecesse com o meu pedido para assinar a sua obra completa que carregava num saco. Riu-se e disse em português: claro que sim. Mais do que isso. Eu com medo de um possível aborrecimento da sua parte e ainda aceitou o meu livro… e ainda fez questão de me fazer perguntas e de folhear o livro… e mais perguntas… e eu disse: se não se importar gostaria de falar consigo no final para não fazer esperar todas estas pessoas. “Claro que sim”, novamente em português. Pousou o meu livro ao seu lado. “O mel e fel” ali, ouvindo a sua caneta deslizar sobre os livros que os fãs lhe pediam para autografar.
Estava feliz e mais feliz fiquei com a conversa à mesa no final. Uma admiradora tratou de conseguir uma foto ao seu lado. Não estava preocupado com isso. Depois da foto veio a tal meia hora e ele sentiu-se orgulhoso por saber que me inspira e que até faz parte dos meus livros. E falamos sobre os livros e sobre nós. “El viejo”, como gosta que lhe chamem, disse-me para continuar e que nos manteremos em contacto através de e-mail. Estava feliz… e estou. Melhor só mesmo no final. Falamos das nossas terras, aquela em que nasci e aquela em que ele vive. E disse-me: “Quando te quedas a Gijon?”. Foi então que percebi que o homem me receberá na cidade onde vive. Perguntei-lhe porquê. Disse-me para o avisar quando fosse. Há oportunidades que não podemos perder. Podia ter adiado para outra altura a hipótese de estar na presença de um mestre, El viejo, e não adiei. Estou feliz.
A foto mostra tudo…Não precisas dizer q estás feliz…nota-se. Não tenho a obra toda mas já li alguns e concordo contigo.
“…é todo ele uma história de amor. Não o amor no sentido de paixão entre um homem e uma mulher, mas um outro tipo de amor aquele que dura para sempre, que é eterno como a própria Natureza.” ( o Velho q lia romances de amor)
Bjs
Foi como eu quando fui ver a Sonia Baby ao Salão erótico de Gondomar o ano passado. senti-me feliz de conhecer um dos meu ídolos. ( sobretudo quando esses ídolos falam conosco e nos dão beijos só com fio dental vestido ).
aiai Sonia Baby…